Capacitação e avaliação de equipes: uma necessidade aplicada por poucos

Como todos sabem, o mercado fitness está em plena ascensão, com aumento significativo em seus indicadores: maior venda de equipamentos, aumento no número de academias, chegada de grandes bandeiras ao Brasil e, consequentemente, a saída dessas bandeiras do centro das cidades para as regiões mais descentralizadas.

O que vemos com essa movimentação é a preocupação de alguns gestores e proprietários em como sobreviver junto a essa grande “concorrência”. Na maioria dos casos, quando surpreendidos por uma nova academia na região, procuram rapidamente investir quantias altas em algo que acreditam ser o que fará o “diferencial”: MÁQUINAS!

A partir daqui, convido-os a seguir uma linha de raciocínio: já não é novidade que o mercado passa por um processo de profissionalização altíssimo, dividindo o negócio academia em setores como vendas, marketing, inovação, etc. Esse movimento gera a necessidade de mudança nos critérios de seleção de novos talentos, assim como o investimento em capacitação constante de seus profissionais e a criação de métodos e processos que os avaliem, o que pode ser determinante para sua permanência na empresa ou não.

Isso parece óbvio, mas a realidade que encontramos no dia-a-dia é bem diferente. Academias realizando a famosa guerra de preços e se preocupando somente com a estrutura física de suas empresas, tentando ter a melhor esteira e o melhor Leg Press, gestores com o raio de visão pequeno, pois estão tão envolvidos com o operacional da academia que acabam não se especializando e se atualizando, uma vez que a fonte de novidades e informações de seus colaboradores deva vir dele.

Acredito que essa situação se apresente por duas características principais: a primeira é a de que muitos gestores possuem o perfil “centralizador”, acreditando que somente ele fará da maneira correta e melhor, não conseguindo assim delegar funções, e a segunda pela própria cultura educacional de nosso país que forma “funcionários” e não “empreendedores” (situação essa que vem mudando com a nova geração de profissionais), o que faz com que o mesmo tenha que “criar-se um gestor” na prática, com pouca ou nenhuma referência de quais as características de uma boa liderança, como gerir pessoas, até mesmo para a confecção do Plano de Negócios de sua empresa, que deve ser realizado antes da sua abertura.

A consequência desse conjunto de situações se reflete na falta de academias que ofereçam capacitação para sua equipe, com processos e indicadores internos que, em resumo, mostrem ao profissional o caminho para o sucesso em nosso mercado, reconhecendo os melhores desempenhos e norteando os que ainda não alcançaram o esperado.

Isso faz com que essa empresa seja um local desejado por outros profissionais, pois mostra que nela existe um método de trabalho e que possui uma “cultura” de valorização do aprendizado contínuo e do trabalho bem realizado.

Com isso, tira-se o foco da contratação de profissionais somente por uma boa condição técnica, pois os processos de capacitação e avaliação interna estão consolidados, e passa-se a procurar profissionais que estejam de acordo com os VALORES da empresa, o que diminui (e muito) o risco de erros de recrutamento ou perca desse profissional para outras instituições somente por conta da remuneração, pois se oferece mais do que salário, mas condições para que eles se projetem como profissionais de destaque.

O produto desse trabalho (que não é fácil de realizar, mas é necessário) será percebido pelo seu cliente, que terá uma equipe coesa e comprometida pronta para atendê-lo. Conseguirá então o gestor fazer com que seu diferencial não se apresente nas máquinas, e sim com o bom atendimento e relacionamento oferecido por sua equipe.

Acredito ser esse o único modelo de trabalho que leve ao Ciclo da Prosperidade em nosso mercado, caso contrário, a falta de profissionalização e a crença de que “está bom como está” levará a situações difíceis de se contornar ou talvez irreversíveis.